quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mukeka Di Rato


16/06/2008 - Bar Opinião - Porto Alegre/RS

Frio glacial em Porto Alegre, mas a promessa que o hardcore capixaba iria esquentar a noite mais que um porre de vinho em frente à fogueira movimentou uma boa quantidade de insanos ao Bar Opinião, todos dispostos a estourar os tímpanos ao som enfurecido do Mukeka Di Rato. As bandas gaúchas escaladas para abrir o show não deixaram por menos, Pupilas Dilatadas mostrou o que os mantém na estrada desde 84 e a Grosseria fez jus ao nome, com um trash/HC grosseiro como à alcunha. Sem esquecer a discotecagem pesada do DJ Jamaica, que de momento em momento sorteava o mesmo CD e diferia gritos ensandecidos, deixando claro que aquela não era uma segunda-feira normal.
Lançando o álbum “Carne”, o Mukeka abriu com “Frações, Refrações e Proporções”, faixa inicial do novo trabalho. O público se quebrava, amigavelmente, ao som de “Mickey” e “Cobra criada”, enquanto os espiritossantenses espacavam os instrumentos e Sandro (voz) berrava a mil por hora as suas críticas sociais. O sárcasmo, marca registrada da banda, foi o elemento chave quando o vocalista anunciou que a solução do Brasil é jogar os pobres “Pela janela do trem”. Em época de discusão sobre produção de etanol, não faltou “Chachaça” e quem tava com fome das músicas do primeiro albúm foi agradicado com um “Mek kancer feliz”.
Show punk sem gente subindo do palco e se atirando não é um show punk legítimo, nesse caso os stage dives eram constantes, assim como os fãs assumindo os microfones, seja para cantar, seja para berrar qualquer coisa. Os seguranças, talvez não acustumados com essas manisfestações, agiram muitas vezes de forma violenta para afastar o público, sendo repreendidos até por membros da banda. O irônico reggae “Burzum Marley” acalmou um pouco os animos da platéia, servindo também para a banda se recuperar antes de tocar mais uma dezena de porradas sonoras.
“Animal”, “Corre!”, “Televisão”, “Homem de borracha” também preencheram a trilha dessa segunda-feira hardcore. Os paulistanos da Ratos de Porão foram lembrados com a cover “Crucificados pelo sistema”. Estranhamente não tocaram “Rinha de magnata”, esta que concorreu na MTV, na categoria melhor clip de 2007, com um exelente trabalho todo feito em animação gráfica.
Porto Alegre foi a última parada no Brasil da turne sulamericana “Chuta que é macumba!”, e com certeza o Mukeka Di Rato não esquecerá tão cedo nem do frio, nem do incansável público punk gaúcho.



segunda-feira, 26 de maio de 2008

Night of the Living Dead

Mesmo que Gleen Danzig, alma negra da banda, tenha decretado o fim dos Misfits em 1983, os monstros invadiram mais uma vez o Bar Opinião, 18/05/08, numa noite de lua-cheia em Porto Alegre. A turnê da continuidade às comemorações dos controversos 30 anos dos criadores do horror punk e contava com uma formação célebre para os admiradores do Punk/HC americano. Dez Cadena (Black Flag) na guitarra, ROBO (Black Flag e Misfits original) nas baterias e o polêmico baixista original e vocalista improvisado, Jerry Only, odiado pela maioria dos fãs radicais da primeira e indiscutível melhor fase da banda.

Os mortos-vivos surgiram das trevas e foram saudados por uma multidão sedenta por letras sangrentas e instrumentais enfurecidos. Abriram com a célebre “Halloween” e mostraram que, apesar da idade e das barrigas de chope, estão em forma e com energia o suficiente para executar uma porrada atrás da outra. A primeira fase do show foi dedicada principalmente às canções da “Era Danzig”, com clássicas como “Hybrid Moments”, “Skulls”, “20 eyes” e “Hollywood Babylon”, tocadas incessantemente numa velocidade bem mais rápida que as versões de estúdio. O que se pode notar principalmente é que Only não prolonga os vocais como Danzig e Graves, fazendo as músicas que já tinham tempo curto serem reduzidas praticamente pela metade. O lado positivo é que elas soavam mais agressivas aos ouvidos do público, que até a primeira metade do show parecia comportado demais para um show de punk rock.

Também não faltaram as trilhas da fase mais “metal” da banda, dos álbuns “American Psycho” e “Famous Monsters”, com arranjos mais trabalhados e solos de guitarra. “Abominable Dr. Phibes”, "Walk Among Us", "From Hell They Came" e "Dig Up Her Bones" transbordaram fúria e fizeram surgir as tradicionais rodas mosh e stage dives no centro da pista. O show era em celebração aos Misfits, mas pode-se dizer que também era ao Black Flag. Dez Cadena assumiu os vocais para executar “Six Pack”, “Jaelous Again” e "Thirsty and Miserable", hinos eternos de uma das bandas embrionárias do American Hardcore.

Quando a platéia já sentia falta de alguns clássicos, Only canta as horrendas, no sentido óbvio quando se refere a essa banda, “Last Caress” e “138”, trazendo a mente porque a sinistra caveira retirada do filme The Crimson Ghost estava presente em quase todas as camisetas e jaquetas do recinto.

Como já era de se imaginar, a banda retira-se do palco repentinamente para depois retornarem aclamados pelos fãs, sedentos por mais horror. Os Misfits finalizam com mais uma parcela de seu repertório, destaque para “Die, Die my Darling”, e “Rise Above” do Black Flag. Para quem ainda torce o nariz para o Jerry Only, ele da show de carisma distribuindo autógrafos e interagindo com a platéia, logo depois de arrancar as cinco cordas do seu baixo. Polêmicas a parte, ninguém deveria contrariar a insistência em manter o legado do Misfits e fornecer aos admiradores uma amostra do que foi uma das mais influentes bandas do punk/HC. E quem esteve presente naquela noite, viu que os mortos continuam vivos.


quarta-feira, 18 de julho de 2007

Jah não pagará as contas

Nesse momento entra no ar o blog Jah Won't Pay the Bills.

Batizado com o mesmo título da primeira fita-demo gravada por uma das melhores bandas de todos os tempos, que reflete bem o estilo inigualável do trio Brad, Bud e Eric, esse espaço vai falar principalmente de música e (contra)cultura, mas de um segmento bem específico desses itens.

Serão postados regularmente lançamentos e resenhas de CDs, anúncios e resenhas de shows, matérias sobre bandas e vídeos. Além de alguma coisa sobre esportes não convencionais e cerveja.

Por essa ser a primeira experiência, a divulgação vai começar mais além. Por enquanto, fica um vídeo do Sublime com o Bradley esbanjando estilo, como sempre, em uma gravação clássica.